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Você que ser feliz ou ter razão?


Foto: Divulgação
Não há ser humano que não tenha complicações ou lutas em sua personalidade. Alguns têm dificuldades muito maiores que outros. Algumas pessoas são mais fáceis de relacionar-se do que outras. Algumas são realmente muito complicadas, seja por causa de um temperamento agressivo, excessiva dependência, muito fechada e defensiva, etc. As boas novas é que podemos ser mudados para melhor. Ainda que seja verdade que permaneceremos sempre com o mesmo temperamento básico com o qual nascemos, há uma flexibilidade possível e com isso a possibilidade de sermos feitos pessoas mais fáceis de conviver, mais amáveis (possíveis de ser amadas) e mais amoráveis (capazes de amar).

Um dos comportamentos rígidos que prejudica os relacionamentos com os outros tem que ver com aquele tipo de pessoa que o mais importante para ela é ter que ter razão, ter que estar certa o tempo todo, ter que não falhar, quer demasiadamente ser justa.

Interessante pensamento do sábio rei Salomão diz: “Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?” Eclesiastes 7:16. O que ele está dizendo aqui é que uma pessoa pode destruir a si mesma por ser e permanecer rígida, mesmo tentando ser justa e sábia. É o tipo de pessoa super-racional que por ser tão racional, deixa de lado o aspecto emocional em seus relacionamentos sociais, causando até alguma desordem psicossomática em si mesmo, ou seja, a mente sofrendo faz o corpo sofrer.

Não ser demasiadamente justo ou sábio não significa comprometer-se com princípios que devem ser vividos pela pessoa. Não significa que ela irá transgredir valores importantes para sua vida. Significa que ela poderá permanecer dentro de seus princípios éticos e morais de vida sendo flexível. Isto é possível. E ela precisará descobrir isto, ao invés de permanecer dura demais consigo e com os outros.

Algumas destas pessoas gostam de discutir para provar que têm razão. Ter razão para elas é mais importante do que manter relacionamentos saudáveis, afetivos, amistosos. Elas podem perder boas amizades, bons negócios, e sua saúde (hipertensão arterial, dor de cabeça, dor nas costas, enxaqueca, etc.) por manterem esta postura de ter que ter razão.

Este tipo de problema comportamental é comum, por exemplo, em casamentos nos quais um cônjuge é mais desligado dos detalhes enquanto que o outro é super-detalhista. Exemplo: o casal foi a uma festa e dias depois, ao comentar com amigos sobre a mesma, o cônjuge não detalhista diz: “A festa estava ótima! Tinha tanta gente! Tinha umas 80 pessoas! Adorei!”. Imediatamente o cônjuge detalhista corrige e diz: “Não é assim! Não tinha 80 pessoas! No máximo deveria ter umas 35!”. A conversa continua e o não detalhista diz: “Gostei tanto dos docinhos e dos salgadinhos! Eles fizeram uma variedade fantástica! Vocês gostaram também?”. O detalhista corrige: “Na verdade só havia três docinhos e quatro salgadinhos diferentes!”. Imagine esta pessoa corrigindo toda hora a conversa para tentar ser justo! Vai criar, com isto, irritação e desprazer porque este tipo de pessoa está mais preocupado com os detalhes do que com a interação afetiva social.

Em várias coisas na vida precisamos pensar e decidir sobre o que é melhor: ser feliz ou ter razão? Abrir mão dos detalhes perfeccionistas permite valorizar o lado afetivo dos relacionamentos, inclusive consigo mesmo. É possível ser feliz, crer no que você crê, não abrir mão dos seus princípios, e não ter que provar que você está certo e com a razão.

Se a outra pessoa exagera em coisas fora da realidade, não tente corrigi-la, controlá-la, mudá-la. Deixe-a ser como ela é. Relaxe. Desfrute o que há de bom no relacionamento. Vale à pena brigar para ter razão? Vale à pena ter crise hipertensiva, dor de cabeça, ou outro sintoma como conseqüência da irritação porque a outra pessoa não é exata? Você quer ser feliz ou ter razão?
Fonte: Portal Natural
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