vida e saúde
21/11/2008 - 00:07:57
Uma a cada quatro crianças que dormem pouco adquire sobrepeso
Foto: imgs.sapo.pt
Um quarto das crianças que dormem menos de 10 horas por noite adquire sobrepeso aos seis anos de idade, segundo estudo da Universidade de Montreal, no Canadá - E, de acordo com os autores, cerca de 90% das crianças com idades entre seis meses e seis anos têm pelo menos um problema relacionado ao sono, como terror noturno, ranger de dentes ou xixi na cama.
Os especialistas destacam que, para a maioria, é uma fase passageira, mas pelo menos 30% das crianças nessa idade têm dificuldades em dormir seis horas seguidas – seja porque não conseguem cair no sono, ou por não permanecerem dormindo. E esses problemas de sono podem estar associados a problemas de aprendizado e até ao risco de sobrepeso e hiperatividade.
Avaliando dados de mais de mil crianças, os pesquisadores descobriram que 26% das crianças que dormem menos de 10 horas por noite entre os dois anos e meio e os seis anos apresentam sobrepeso – 18,5% estão acima do peso ideal, enquanto 7,4% são classificados como obesos. Essa taxa de sobrepeso cai para 15% entre aqueles que dormem 10 horas por noite, e para 10% entre os que dormem 11 horas.
Os pesquisadores acreditam que a razão para essa relação está em mudanças hormonais causadas pela falta de sono. “Quando dormimos menos, nosso estômago secreta mais do hormônio que estimula o apetite”, explicou o pesquisador Jacques Montplaisir, do Hospital Sacré-Coeur. “E também produzimos menos do hormônio cuja função é reduzir o consumo de alimentos”, completou. E as sonecas não amenizavam o problema.
Além disso, a falta de sono foi associada à hiperatividade – 22% das crianças que dormiam menos de 10 horas dos dois aos seis anos de idade eram hiperativas aos seis anos, o dobro da taxa daquelas que dormiam de 10 a 11 horas por noite. E aquelas que dormiam pouco tinham pior desempenho em testes cognitivos. Por isso, os especialistas defendem intervenções, desde o início da vida, para melhorar o sono das crianças e sua qualidade de vida.
Fonte: EurekAlert/Public release