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    Brasil

    José Alencar se recusa a fazer exame de paternidade

    Data: 24/07/2010


    Foto: José Alencar e Rosemary Morais/Reprodução
    O jornal Folha de S.Paulo dedica, na edição deste sábado, quase uma página à história de Rosemary Morais, de 55 anos de idade e aposentada como professora de geografia e história. Rosemary ingressou com uma ação judicial de investigação de paternidade contra José Alencar, vice-presidente da República.

    A ação investigatória foi julgada procedente por sentença de primeiro grau de jurisdição.

    O advogado de José Alencar declarou ao jornal Folha de S.Paulo que oferecerá recurso de apelação e classificou a sentença como “totalmente despropositada”.

    -2. Não representa novidade, entre políticos de destaque no cenário nacional, denúncias sobre ações de investigação de paternidade.

    Collor de Mello, de triste memória quando da sua passagem pela presidência, reconheceu sem vacilações o filho concebido fora do casamento. Idem, o presidente Lula. Quanto a Fernando Henrique Cardoso, apenas depois de ter deixado a presidência realizou o reconhecimento, ou melhor, tardou mas não fugiu ao dever ético, humano.

    Com relação a José Alencar –que emociona os brasileiros pela sua corajosa luta contra a doença e desperta a atenção de todos pela sua fé inquebrantável em Deus–, um fato poderá sujar a sua história de vida. Ou seja, José Alencar não quis fazer o importante exame de DNA, para valer como prova em juízo.

    O exame foi judicialmente marcado no ano de 2008. Alencar não apareceu.

    Pior. Preferiu a surrada tese de que a mãe de Rosemary era “mulher reconhecidamente freqüentada por vários homens”.

    Em outras palavras, essa tese joga na dúvida. Só que vira canalha quando é usada como excludente de se submeter ao exame de DNA.

    E no recurso de apelação, José Alencar vai usar da mesma tese, que, quando alguém se nega a realizar o exame de DNA, apenas serve para afrontar a liberdade de livre escolha pelas mulheres. Inclusive a de se relacionar sexualmente com quem e quantas vezes quiser.

    Atenção: o exame de DNA, a propósito, é 100% seguro no que toca ao afastamento da paternidade.

    Todo o juiz, quando o indigitado genitor se nega a se submeter ao exame de DNA, como José Alencar fez e faz, deve levar, ao analisar a prova, esse componente de recusa e não deixar de dar a ele um peso indiciário na formação do seu convencimento.

    -3. PANO RÁPIDO. O exame de DNA dá quase a certeza quanto à paternidade. Dá, ainda, a certeza da exclusão, isto é, da absoluta impossibilidade de o réu da ação de investigação ser o pai.

    O vice-presidente José Alencar parece ter escolhido o caminho de Pelé, que se recusou, e diante de enorme quantidade de provas inconcussas a respeito da paternidade, ao reconhecimento da paternidade de uma sua filha.

    Pelé, no particular, já manchou a sua biografia de homem. José Alencar trilha igual caminho ao continuar a ser recusar a fazer o exame de DNA e, sem ele, sufragar a tese de ter tido a mãe de Rosemary uma vida sexual dadivosa.

    Autor: Portal Terra/Wálter Fanganiello Maierovitch
     
     
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