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Goiânia: a cidade 24 horas acordada

Goiânia não dorme mais à noite. A jovem Capital que completa 76 anos oferece para os moradores serviços de supermercado, farmácia, posto de gasolina, lazer e alimentação durante 24 horas. É bem verdade que o comércio nesse segmento ainda é tímido, e são poucas as opções para quem deseja abastecer a cozinha com compras de supermercado depois das 2 horas da manhã, ou para quem procura uma farmácia para aliviar a dor de garganta do filho. Porém, os estabelecimentos que apostam em ficar com as portas abertas durante todo o dia investem na criatividade para que a noite do goiano passe longe da cama.

Há 12 anos, uma panificadora localizada na Avenida T-63 foi o primeiro estabelecimento a oferecer serviço 24 horas em Goiânia. Localizada no Setor Bueno, a panificadora, além de vender pães, lanches rápidos e quitandas, oferece também refeições em quatro horários distintos, começando pelo café da manhã às 6 horas, o almoço a quilo a partir das 10 horas, lanche da tarde às 15 horas, seguido da sopa que é servida a partir das 18 horas. No estabelecimento não há tempo morno quando se trata de dias mais movimentados. Para a gerente Deusa dos Santos, 46, não é apenas o final de semana que é concorrido. “Às segundas-feiras, o movimento é intenso, principalmente depois das 23 horas”.

O empresário Kleiber Borba, 26, morador do Setor Bueno, diz que o comércio 24 horas é uma excelente opção para quem costuma trabalhar depois das 22 horas. “O dia termina tarde e é uma boa alternativa quando encontro estabelecimentos que oferecem serviços durante a madrugada”. Mas Borba é crítico ao dizer que falta maior investimento no comércio para o serviço melhorar. “Eu nunca encontro pão fresco, ele já está dormido há tempos”, reclama.

Para alimentar a amizade de 26 anos, o autônomo Fábio Araújo da Silva, 43, e o bancário Marlon Freire, 43, escolheram a panificadora para ponto de encontro, desde quando o estabelecimento foi inaugurado. A roda de conversa acontece no mínimo três vezes por semana e se prolonga durante as primeiras horas da madrugada. “Como moro sozinho e não gosto de jantar, o local é ideal para eu fazer um lanche leve depois que venho da caminhada”, ressalta Fábio. Também é na panificadora que a dupla põe a leitura em dia e aproveita para fazer novas amizades. “A madrugada é um hora excelente para se conhecer pessoas interessantes. É um público que interage com facilidade”, acrescenta Marlon.

PRIMEIRA VEZ

Uma tosse seca acompanhada de febre em uma criança de três anos fez com que a estudante Ana Luiza Sarmento, 23, se deslocasse do Centro da cidade para o Setor Bueno em busca de uma farmácia aberta para medicar seu filho. “É incrível que saí de tão longe para comprar um antibiótico. O Centro é morto, mas ainda bem que encontrei uma farmácia aberta em uma hora de emergência”, comemora Ana Luiza. A estudante conta que foi a primeira vez que utilizou o serviço 24 horas de uma farmácia. Ela confessa que antes achava desnecessário que os estabelecimentos comerciais ficassem abertos por toda a madrugada. Ana Luiza admite que se faz necessário. “Sempre vai ter alguém a procura de um remédio ou atrás de uma refeição. Goiânia tem que ficar acordada”.

Público-alvo se modifica aos fins de semana

A Avenida T-63, no Setor Bueno, é a principal via que oferece serviços 24 horas na Capital. São duas farmácias, dois postos de gasolina, uma panificadora, duas lanchonetes, um restaurante e um supermercado. A Avenida 85 é a segunda a oferecer atrações para toda a madrugada. Próximo da Praça Cívica, há um bar com mesas de jogo de bilhar. Para quem deseja saciar a fome com lanches rápidos, há uma panificadora e uma pizzaria. No Setor Oeste, próximo da Praça Tamandaré, fica localizado o segundo supermercado 24 horas de Goiânia.

Por concentrar estabelecimentos próximos uns dos outros, o consumo na Avenida T-63 se intercala. “É comum uma jovem terminar de comer um sanduíche e vir comprar produtos de beleza na farmácia”, esclarece o gerente de uma das farmácia, Denielsen de Oliveira Mota, 23. Há dois anos a drogaria fica de portas abertas durante toda a madrugada e comemora uma aumento de 10% na margem de lucro em relação às vendas que apenas eram realizadas até as 20 horas.

Denielsen explica que o público alvo da farmácia varia conforme os dias da semana. De segunda a quarta-feira, são pais de famílias e mulheres que procuram por analgésicos, antitérmicos, antibióticos e produtos de higiene pessoal. O horário de maior movimento concentra-se entre as 23 e 2 horas. A partir de quinta-feira até domingo, o movimento se intensifica depois das 22 horas e só termina às 5 horas. Adolescentes e homens com idade acima dos 25 anos compram, no fim de semana, preservativos, estimulantes sexuais e contraceptivos de emergência.
Fonte: DM Online/Márcia Fabiana
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