homem
04/08/2008 - 22:11:50
Figura paterna influencia a carreira profissional do filho?
O mistério é antigo. E, justamente por isso, sempre fascinante. Será mesmo que pais fazem nascer nos filhos vocações profissionais? O convívio, o exemplo, a admiração. Tudo isso é realmente fator responsável por colaborar para que carreiras se transformem em legados transmitidos de gerações a gerações? Assim como a certeza do amor paterno, esta é uma dúvida que atravessa o tempo e não para de gerar debates. Nas ondas das mais diversas áreas, um mar de opiniões surge quando se mergulha na famosa e velha pergunta: filho de peixe, peixinho é?
O sabor da polêmica ganha o tempero de visões diferentes no terreno da gastronomia. O micro-empresário Reinado Tavares, dono de buffet, é taxativo: 'Não acredito que pais influenciem filhos na área profissional. Basta ver meu caso para comprovar isso. Dedico-me ao meu ramo há mais de vinte anos. Tenho quatro filhos. Nenhum deles quis seguir meus passos. Trabalho com uma equipe relativamente grande e não há nela nenhum dos meus familiares. Acho que vocação é uma questão pessoal e não hereditária'.
No cardápio da família Martins, no entanto, o ingrediente é outro. Filhos do famoso maître Carlos Américo, Luiz e Antonio Carlos Martins admitem com orgulho que hoje seguem com sucesso no ramo gastronômico graças aos preciosos ensinamentos que herdaram. 'Nosso pai sempre trabalhou neste segmento. No Rio Grande do Sul, ele era famoso e muito respeitado pela qualidade do atendimento. Lembro que essa admiração fazia com que figuras famosas, como Benito de Paula, fossem almoçar em nossa casa', frisa Luiz Martins, hoje proprietário do restaurante Treviso. E ele acrescenta: 'Eu e meu irmão seguimos por esse campo com muita satisfação. Sou fascinado por tudo que se relacione à cozinha. E tenho convicção de que este fascínio se deve a aptidão que herdei do meu pai'.
Vocação
Afinal, o exercício da mesma profissão paterna é apenas o desdobramento natural de uma vocação ou o condicionamento por conta do convívio desde a infância? Nesse terreno, a questão ganha sementes de entendimento igualmente diversas. Fiel companheiro do pai na administração da madeireira Ebata Produtos Florestais, Leônidas Dahas acha que, no final das contas, tudo é uma confluência de fatores. 'Tenho a impressão de que o fato de eu seguir a mesma profissão do meu pai é resultado tanto de convivência quanto de vocação. Realmente acompanho desde menino a jornada que ele enfrenta. E isso sempre me fez admirá-lo. Por outro lado, sou o único da família que decidiu trabalhar na empresa. Isso prova que é um caso de tendência. Eu manifestei a vocação pela área'.
Dono de uma granja situada na área rural, Maurício Pantoja divide os afazeres do negócio com Marcos, seu filho único. Ele acredita ter moldado a trajetória de seu herdeiro. E se preocupa com isso. 'Fico pensando: será que ele não teria seguido outro rumo? Será que ele é feliz trabalhando aqui comigo ou faz isso só para me agradar'. Marcos, ao seu tempo, emoldura a questão com uma resposta emocionada: 'Hoje já nem paro para pensar sobre isso. Sabe o que é realmente importante? O importante é que estou ao lado do meu pai. E para mim isso é um imenso privilégio'.
Fonte: O Liberal Online