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BC: juros para pessoa física são os menores da história

Financiamento para compra de carros e parcelas no varejo lideram recuo de até 3 pontos percentuais. Cheque especial e cartão de crédito elevam taxas.


Juro cobrado das pessoas físicas atingiu em setembro o menor nível da série histórica, iniciada em julho de 1994. Porém, em outubro, voltou a subir. Informação é do chefe-adjunto do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Túlio Maciel. Em setembro, o juro médio cobrado das famílias caiu 0,5 ponto percentual ante agosto, para 43,6%.

A redução da taxa foi liderada pelo financiamento para compra de veículos, cuja taxa caiu 1,3 ponto percentual em relação a agosto, para 24,9%, e pelo parcelamento no varejo, com queda de 3 pontos percentuais, para 51,4%.

Comportamento dessas linhas vai na contramão do que aconteceu com o cheque especial e cartão de crédito. Na primeira operação, o juro subiu 1,7 ponto na comparação com agosto, para 162,7% ao ano. No dinheiro de “plástico”, o rotativo teve aumento de 0,4 ponto, para 44,7%.

Apesar do menor patamar do juro desde o início da série histórica, houve reversão em outubro. Dados preliminares mostram que o juro médio do crédito para pessoa física subiu de 43,6% para 46% em outubro até o dia 13.

A queda dos juros para pessoa física, em setembro, ao menos, colaborou para a 10ª queda consecutiva dos juros médios no crédito livre, fechando o mês em 35,36% ao ano. Em agosto, a taxa média era de 35,4%. Nos empréstimos para empresas, o juro médio cedeu de 26,4% para 26,3%.

Spread

Houve corte do spread bancário – diferença entre a taxa de captação e o juro cobrado do cliente. Na média, o spread passou de 26,3 pontos percentuais para 26 pontos de agosto para setembro. Novamente, o segmento do crédito para pessoas físicas liderou redução, já que o spread para o grupo passou de 34,3 pp para 33,4 pp. Nos financiamentos para pessoa jurídica, o número passou de 17,8 pp para 17,7 pp.

BC informou ontem que as operações de crédito do sistema financeiro tiveram expansão de 1,5% em setembro ante agosto. Com essa variação, o saldo de todos os empréstimos concedidos às pessoas físicas, empresas e setor público somava R$ 1,347 trilhão ao fim do mês passado.

Para Meirelles, perspectiva é de crescimento

Presidente do BC, Henrique Meirelles voltou a afirmar que a perspectiva do crédito no País é de crescimento, o que amplia a responsabilidade daqueles que concedem financiamento. Segundo ele, o crédito oferece grande oportunidade, mas a crise mostrou que problemas com financiamentos ocorrem nos períodos em que há expansão dos volumes e, por isso, o BC e o setor privado devem estar atentos à qualidade das operações.

A inadimplência média das empresas no crédito livre subiu pelo 10º mês consecutivo em setembro e atingiu 4% das operações. Em agosto, porcentual dos empréstimos com atraso superior a 90 dias era de 3,9% e, em novembro, quando a sequência de altas começou, o número estava em 1,7%.

Com a alta, inadimplência jurídica se mantém no pior patamar desde 2001, quando estava em 4,2%. Nos empréstimos para pessoas físicas, inadimplência caiu de 8,4% para 8,2% entre agosto e setembro.
Fonte: Agencia Estado
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